28/07/2013

História - Recordação eterna

    Foi um dia bastante cansativo. Tive que me levantar cedo e enfiar as bagagens todas no carro e, logo depois partimos para Dublin. Só sei que não me lembro de nem metade da viagem pois passei ela toda a dormir e a pensar na vida e no quanto eu não aguento mais. 'Elas' nem imaginam o quanto me custa fechar os olhos: é como se houvesse um vazio dentro de mim, e nem uma tablete de chocolate conseguisse preencher esse vazio. 
    A única coisa que me lembro da viagem foi a grande travagem que a minha mãe fez quando estava a passar a rotunda e passa-lhe um carro á frente em alta velocidade. Como estava com a cabeça no ombro da Kim, a minha melhor amiga, senti uma ligeira pancada na cabeça e um grande som das rodas do carro derraparem no chão. Assustei-me imenso. Mas felizmente não sofremos nada. Poderá-se dizer que a minha mãe é uma das poucas boas condutoras que existem. Tirando isso, logo quando cheguei a Dublin, só queria enfiar-me no quarto deitada na cama e, descansar, mesmo com a quantidade de bagagens que tínhamos por descarregar... Portanto, acabei por tolerar e fui ajudá-las a arrumar as coisas.
    Depois de tudo isso não sei como é que elas proporam-me para irmos ao bar á noite divertirmo-nos com aquela grande viagem que fizemos. Depois de sete meses de terapia contra a enorme tristeza que me invadiu durante mais de um ano, voltei finalmente a sai á noite.
    O que eu fiz para ir para a terapia? Eu diria antes o que não fiz. Desde de que me lembre sempre foi gozada por pessoas ridículas, sem coração. Na escola, havia sempre aquele grupo mais forte e popular, 'elas' opinavam sobre a minha roupa, o meu andar, o meu comportamento. A minha vida era toda criticada por 'elas'. As pessoas ridículas. E eu sempre guardei todo para mim, todas as tristezas do meu dia-a-dia.
Luto para ser feliz. E apesar de ter tido ajuda por parte da minha mãe, da Kim e da terapeuta, ainda não consigo dizer que sou feliz, ainda existe aquele vazio, aquela dor, bem no fundo do meu coração.
     Chegamos ao bar, a música estava alta de mais para os meus ouvidos, depois da viagem, não queria mais nada se não enfiar a minha cabeça debaixo da almofada.
     -Olá. És nova aqui? - disse uma voz por trás de mim. Virei-me, inicialmente pensei que não era comigo.
     -Sou, Melanie, muito prazer! - disse, tentando dar o melhor sorriso que consegui. 
    -Jared, muito prazer em conhecer-te. Queres beber algo?- A minha força de vontade dizia-me para responder sim, mas o meu sentido de responsabilidade dizia que não. Ainda estava em medicação, para mim era proibido beber.
     -Não, obrigada. Não bebo. Estou a tentar ser saudável.
     -Tudo bem, eu não me importo. E dançar?
    -Também não é o meu forte, mas aceito um passeio a beira-mar. Para ser sincera está música está a dar cabo de mim.
   -Por mim, está perfeito. Também não gosto muito deste barulho - E sorriu, os seus olhos verdes brilharam. Algo que já não via a muito tempo acontecer. Quase que me arrastou até a praia, o meu cansaço era enorme. O mar acalmou-me o sono e as dores. Andamos, corremos, atiramos água um ao outro, falamos. Eram 2 da manhã e eu tinha perdido todo o sono que estava no meu corpo. Estávamos sentados em cima de um rochedo a falar, fiquei a saber imensas coisas sobre ele.
    -Então tu não gostas de dançar.
    -Não, piso toda a gente, caiu, e perco-me completamente da música. - respondi-lhe.
    -Anda vamos dançar, eu não me importo se me pisas! Eu ajudo-te.
    -Não é melhor não, para a saúde dos teus pés. - E quando acabei de falar, já ele me tinha levantado, agarrando-me na cintura, e começou a cantarolar, tentei acompanha-lo na dança, fazendo o máximo esforço para não o pisar.
    E naquele momento, beijou-me. Um beijo quente. Coloquei a minha mão no seu pescoço. Com uma pele suave e macia. Ai apercebi-me que o vazio do meu coração já estava preenchido. 
   Ainda hoje passado cinquenta anos, Jared permanece ao meu lado. E nós os dois ,hoje, contamos está história aos nossos netos. Para que eles saibam que o amor vence tudo. 

Sem comentários:

Enviar um comentário